A brutalidade que marcou a manhã da última quarta-feira no bairro de São Geraldo, zona Centro-Sul de Manaus, teve uma motivação torpe e exclusivamente financeira. Segundo revelou o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o homem identificado como Ezenilson Silva de Souza, de 43 anos, que assassinou três pessoas e deixou uma quarta gravemente ferida agiu por desespero para quitar uma dívida de R$ 19 mil com agiotas.
Durante coletiva de imprensa, as Forças de Segurança detalharam a dinâmica do crime que ficou conhecido como a “Chacina do Martelo”. O autor, caracterizado pela polícia como “extremamente frio”, confessou a autoria após ser confrontado com imagens de câmeras de segurança e testemunhos.
A Motivação: Dívida e Morte “Decretada”
De acordo com as investigações, o criminoso estava sendo cobrado por mais de seis agiotas e havia tido sua morte “decretada” caso não realizasse o pagamento naquele mesmo dia. Sem alternativas, ele decidiu atacar o próprio ex-sogro, o senhor Francisco.
A tragédia foi desencadeada pela cobrança de uma dívida de R$ 19 mil que Ezenilson tinha com agiotas. Segundo o titular da DEHS, delegado Ricardo Cunha, o suspeito dependia financeiramente do ex-sogro, o pastor Francisco. Naquela manhã, a negativa do religioso em fornecer mais recursos gerou um forte desentendimento. Alegando ter “perdido a cabeça”, Ezenilson executou o pastor a golpes de martelo no quarto da vítima. O ataque brutal não parou por aí e vitimou fatalmente outras duas pessoas na sequência: o professor da Ufam Guilherme Pereira Lima Filho, de 66 anos, e Isabella Coelho Moraes, de 29 anos, filha do pastor.
A escolha do alvo não foi ao acaso. A vítima costumava ajudar financeiramente o neto (filho do assassino, que possui Transtorno do Espectro Autista). O autor tinha a certeza de que Francisco guardava dinheiro em casa e foi ao local decidido a roubá-lo para salvar a própria vida.
A Dinâmica do Terror
A cronologia da barbárie começou cedo. Por volta das 5h30 da manhã, o homem chegou ao local em uma motocicleta alugada, estacionou do outro lado da rua e pulou o muro da residência. Ele carregava consigo uma bolsa transversal onde escondia a arma do crime: um martelo.
Ao cobrar mais dinheiro do ex-sogro e ter o pedido negado, uma discussão se iniciou. Foi nesse momento que o autor desferiu os primeiros golpes de martelo na cabeça de Francisco, que não resistiu. O que se seguiu foi uma tragédia em cadeia. A filha de Francisco, Isabelle, que dormia no cômodo ao lado, acordou com os gritos. Ao tentar ver o que acontecia, foi duramente golpeada e caiu
O terror se espalhou pelo prédio. O professor universitário Guilherme, que morava no primeiro andar, ouviu o desespero e subiu para ajudar. Ele entrou em luta corporal com o assassino, mas acabou sendo brutalmente ferido e morreu no local. O mesmo aconteceu com Dona Dilma, moradora do andar térreo, que também correu para socorrer os vizinhos e foi atacada. Ela é a única sobrevivente e luta pela vida em um hospital da capital.
Frieza, Fuga e Prisão em Tempo Recorde
Após o massacre, a frieza do criminoso chamou a atenção da polícia. Com três corpos no chão e uma vítima agonizando, ele vasculhou o imóvel até encontrar um pequeno cofre pertencente a Francisco, contendo cerca de R$ 900. Colocou uma máscara de proteção no rosto e fugiu levando o dinheiro e três celulares das vítimas.
Na rota de fuga, o homem descartou o martelo e dois dos aparelhos em um igarapé próximo para evitar rastreamento. Com os R$ 900, foi ao encontro de um dos agiotas para abater parte da dívida.
O mais chocante, segundo o delegado Ricardo Cunha, foi a atitude do autor após o crime. Morador da mesma região e vizinho das vítimas, ele retornou para casa e seguiu sua rotina normalmente, chegando a ficar próximo aos familiares que choravam a tragédia e da imprensa que cobria o caso, dissimulando qualquer envolvimento.
A impunidade, no entanto, durou pouco. Em uma ação rápida e integrada entre a Polícia Civil e a Polícia Militar, o homem foi identificado, localizado e preso em menos de 12 horas. Ele, que não possuía passagem pela polícia, tentou alegar legítima defesa, mas acabou confessando.
O assassino foi autuado em flagrante por latrocínio (roubo seguido de morte) triplamente qualificado e tentativa de latrocínio. Ele agora aguarda o desenrolar do processo à disposição da Justiça.





