Jovem trabalhava como estagiária do Tribunal de Justiça de São Paulo em Taubaté desde abril de 2025
Uma estudante de direito, identificada como Lívia Berthoud, de 23 anos, foi morta a tiros na manhã desta segunda-feira (10) em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. O ex-namorado da jovem foi preso no mesmo dia suspeito de ter praticado o crime.
A vítima foi encontrada caída no chão da Rua São Sebastião, no bairro Vila Santa Teresinha, onde o Samu (Serviço Municipal de Atendimento de Urgência) constatou o óbito. O caso foi registrado como feminicídio na Delegacia da cidade.
Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), familiares e testemunhas teriam apontado o ex como o autor do crime.
A polícia localizou o veículo utilizado pelo suspeito e, logo depois, encontrou-o em seu apartamento, com ferimentos provavelmente provocados pelos disparos de arma de fogo. O homem foi levado para uma unidade médica, onde permaneceu hospitalizado sob escolta policial.
As equipes realizaram perícia na residência do homem, onde um revólver calibre .38 foi apreendido, e no local do crime.
Lívia estudava na Unitau (Universidade de Taubaté) e algumas entidades da universidade publicaram uma nota de pesar nas redes sociais lamentando o caso. Veja nota abaixo:
“É com profundo pesar que o CACOS e a A.A.A.C.N. recebem a notícia do falecimento de Lívia Berthoud, aluna da Universidade de Taubaté. Neste momento de profunda tristeza, nos solidarizamos com seus familiares, amigos, colegas de turma e todos que tiveram o privilégio de compartilhar momentos com Lívia ao longo de sua caminhada. Em união a este sentimento prestamos as mais sinceras condolências a todos os familiares e amigos.”
A universidade também se manifestou repudiando o episódio e se solidarizando com familiares e amigos:
“A Universidade de Taubaté (UNITAU) manifesta profundo pesar pela morte precoce e brutal da aluna Lívia Berthoud, do 10º semestre do curso de Direito, vítima de feminicídio nesta segunda-feira (10), em Pindamonhangaba. A Universidade se solidariza com familiares, amigos, colegas e professores e repudia, de forma veemente, toda forma de violência.
O assassinato da Lívia ocorre no mesmo dia em que a UNITAU inicia a 46ª Semana Jurídica, que neste ano propõe o debate sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha e o enfrentamento à violência contra a mulher. A temática também é objeto de estudo e de ações permanentes da Universidade, por meio do Observatório da Violência e do Grupo de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (GAVVIS), ativo desde 2004. A dolorosa coincidência reforça a urgência de uma discussão que ultrapassa os espaços acadêmicos e exige o compromisso de toda a sociedade.
A memória de Lívia estará presente nos debates desta semana.”
A jovem trabalhava como estagiária do Tribunal de Justiça de São Paulo em Taubaté desde abril de 2025. Ela já havia trabalhado, também como estagiária, na Funap, uma ONG com sede na Colômbia, e no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O corpo de Lívia foi velado na noite desta segunda no Velório Sesolupi, em Pindamonhangaba.
Feminicídio no interior de SP
O interior de São Paulo concentrou a maior parte dos registros de crimes de violência contra a mulher no estado no primeiro semestre de 2026.
Um levantamento realizado pela CNN Brasil analisou os balanços mensais divulgados pela SSP, divididos entre a Capital (município de São Paulo, sob responsabilidade do DeCAP), a Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo) e o Interior (municípios atendidos pelos Deinters).
Em todos esses indicadores, o Interior apresentou o maior número de ocorrências em comparação com a Capital e a Demacro.
Foram registrados 97 feminicídios no interior, contra 24 na capital de São Paulo e 21 na Demacro. Nos casos de lesão corporal dolosa, o interior somou 20.772 ocorrências, mais que o dobro da Capital (8.855) e da Demacro (7.354).
FONTE: METRÓPOLES


