Quatro homens foram mortos a tiros ao tentarem cobrar uma dívida de mais de R$ 250 mil. Os autores são um PM da reserva, o filho dele e um terceiro suspeito, morador de Planaltina (GO), que estão foragidos

Luiz Antônio e Gustavo Fernandes residiam em São João da Aliança (GO), a cerca de 100km de Formosa. Gustavo Aurélio e André Ferreira eram paulistas e viajaram de São Paulo para o município goiano dias antes do ataque. O quarteto tinha um objetivo: cobrar o pagamento de uma dívida de mais de R$ 250 mil contraída pelo filho de um policial militar da reserva de Goiás.
Câmeras de segurança mostram a chegada de uma Amarok cinza em frente à casa do PM. Onze segundos depois, uma sequência de quase 30 tiros. Duas das vítimas foram baleadas e mortas ainda dentro do carro. No chão e nos portões da casa do militar e de um vizinho, as marcas do ataque. Na residência e na calçada onde ocorreu o crime, a polícia apreendeu duas armas e encaminhou para análise.
Ao Correio, a delegada Luana Alves de Souza, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), afirmou que três pessoas dispararam contra os quatro homens. Estão envolvidos o policial, o filho dele e um terceiro suspeito, morador de Planaltina de Goiás. As identidades dos autores não foram reveladas. “O laudo de local ainda não está disponível e, por ele, vamos saber se houve uma troca de tiros ou não. Mas temos certeza de que há três autores”, destacou.

Dívida
As investigações revelaram um núcleo entre vítimas e autores fomentado por negociações diversas e de longo prazo. Entre eles, havia combinações para a venda de maquinários, carros, caminhões e repasse de dinheiro. Transferências e entrega de bens já haviam sido feitas em ocasiões anteriores. A polícia contabiliza os valores.
A motivação do crime, afirma a polícia, estaria relacionada à venda de um caminhão pelo filho do PM. No alto da casa dos autores, uma câmera de segurança instalada pelo próprio PM filmou toda a ação violenta. Mas as imagens teriam sido apagadas por eles antes da fuga. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.
Sem se identificar, uma moradora relatou ao Correio que o PM costumava passar a semana na cidade de Bezerra (GO), onde a mulher dele trabalha como professora em uma escola. Ele costumava voltar a Formosa aos sábados e domingos. “Sempre o via de longe e só cumprimentava. Nunca notei nada de errado e nem sabia que ele era policial”, relatou.
Assim como boa parte das casas da rua, a residência do militar era protegida por cercas elétricas — além da câmera de segurança. Por volta das 18h do dia do crime, um segundo filho dele, recruta do Exército, chegou à residência aparentemente sem saber do ocorrido. “Esse outro filho (que teria participado do crime) eu não conhecia. Não morava aqui”, contou a moradora.
Um dos mortos, Gustavo Fernandes, trabalhou na Prefeitura de São João da Aliança. Entre 2017 e 2019, atuou no cargo de secretário de Agricultura e Transportes do município. De 2020 a 2024, migrou para a Secretaria Municipal de Transportes.
Segundo a delegada Luana, investigadores colhem depoimentos para a elucidação do crime. Ela ressalta que dois dos três autores têm passagem pela polícia por estelionato e outros crimes.


