Segundo o que foi revelado pelo portal, a notificação com antecedência é considerada uma deferência ao Brasil.
Para Natália, a medida era aguardada pelo governo Lula, apesar dos esforços para impedir a classificação das facções como terroristas.
Na visão da especialista, o Palácio do Planalto enxerga características distintas de grupos de narcotráfico e de organizações terroristas.
“O objetivo de um grupo terrorista, normalmente, é gerar o terror. E o objetivo principal de um grupo de narcotráfico não é gerar o terror, mas garantir a estabilidade e a paz para ter lucro por meio do narcotráfico do comércio internacional. Então, existe uma diferença na visão adotada pelo governo norte-americano desde a entrada de Donald Trump”, destacou.
A provável classificação de CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras [FTOs, na sigla em inglês] representa mudança na política externa dos EUA à América Latina. O status de terrorismo aciona o braço financeiro do Departamento do Tesouro com mais rigor. Ainda conforme a especialista, o governo brasileiro busca impedir esta rotulação firmando uma cooperação internacional para combater o crime organizado.
Segundo ela, o Brasil procurava essa parceria para que os EUA não atuassem por “conta própria” para enfrentar o narcotráfico brasileiro, como “brecha” para uma possível intervenção no país; por isso, para o Brasil, seria melhor que a rotulação de terrorismo sob às facções não ocorresse.
“Mmesmo que ela (classificação como terrorismo) aconteça, isso, pela legislação internacional, pelo direito internacional, não permite a interferência externa direta no Brasil”, alertou a especialista.