TSE usará rede de satélites Starlink para transmitir resultados das eleições em locais remotos
Saiba como o TSE usará mais de 1,1 mil terminais da Starlink para enviar os Boletins de Urna de regiões isoladas nas Eleições 2026.
Agora é no voto. Neste domingo, os sujeitos políticos, todos nós, diante da urna, digitamos dois algarismos e confirmamos a escolha. No início da noite já saberemos para onde o País deve rumar.

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula Foto: Wilton Jr/Estadão
Já o senador do PL ficou jurando não bolir no Bolsa Família, prometeu aumentar os benefícios e até correu para votar na PEC do fim da escala 6×1.
Lula ocupou o lugar de quem queria defender seu legado e se esqueceu que a eleição é uma escolha sobre o futuro. Quando se deu conta do erro, a campanha petista anunciou novidades como o passe-livre no transporte coletivo nos fins de semana. Por inspiração do deputado Janones, os petistas montaram um exército virtual que conseguiu abalar o fluxo de informações nas redes digitais, torcendo para que isso se repita no mundo real no domingo, 25.
Flávio exibiu jovialidade diante de um adversário octagenário. Levantou a bandeira da mudança para quem quis acreditar que será ele mesmo a governar. Será uma novidade. Quem manda na política da família é o pai que está à espera de uma anistia para voltar ao poder pelas mãos do primogênito.
O senador tem um passado de amigo de milicianos do Rio, grupos armados que submetem territórios fluminenses à coação das armas. Mas parte do eleitorado preferiu não olhar para trás.
Morando em Brasília desde 2019, construiu outra vida. Flávio tornou-se parceiro, amigo e potencial sócio de um advogado que detém o título de maior apostador de bets do País. Muita sorte. Mas o mesmo eleitorado também não quis ver.
Na reta final da campanha, os petistas tentaram lembrar que o jovem senador pode ser a reedição de Fernando Collor. Em 1989, aos 40 anos, o governador de Alagoas prometia acabar com a corrupção, defender os cidadãos de bem em nome de Deus levando a pátria para a modernidade.
Flávio, nos seus 45 anos, bem que adotou um discurso parecido. Se Collor já pilotou um F5 como presidente, Flávio apareceu em versão IA manejando um caça. Se Collor fazia pose mirando um fuzil para um inimigo imaginário, Flávio repetiu o gesto, de novo em IA, para enfrentar figurinhas fictícias do crime organizado.
Fernando Collor (à direita) num F5 e Flávio Bolsonaro pilotando caça em versão IA Foto: Divulgação/Presidência da República;Reprodução via Instagram
Tudo muito parecido, de fato. Mas a lembrança pode fazer sentido apenas para o eleitor beirando os 60 ou mais do que isso. Para os jovens, talvez a mensagem não cole.
Na seara econômica não custa lembrar aqui que, no último mês, Flávio Bolsonaro falou uma coisa em público e no privado os seus tratavam de desdizer. O voto no fim da 6×1, por exemplo, foi antecedido de mensagens ao mercado de que, eleito, Flávio vai trocar a regra por uma pretensa negociação sobre horas trabalhadas. Houve quem alertasse para o risco de um estelionato eleitoral a la Collor que chegou a ponto de confiscar as economias dos brasileiros.
Se Flávio pode vir a ser isso, Lula ocupou o lugar de quem prometeu tanta coisa que não se sabe ainda de onde o dinheiro virá se for reeleito. Mas na maior parte do tempo Lula foi somente Lula, o mesmo que subiu a rampa desde 2003. O discurso, repetido por mais de 20 anos, pode ter envelhecido. Então, o petista foi o candidato que não ofereceu uma surpresa.
Talvez por isso o eleitor possa flertar com quem fabricou-se como a novidade e bancar o risco de ter um amigo de miliciano, parceiro de megabeteiro e filho de golpista na presidência da República.



