A influenciadora brasileira Mila Flores revelou ter sido vítima de agressões brutais por parte de seu marido, o músico gospel Rick Eleotério. O caso de violência doméstica ocorreu nos Estados Unidos, onde a família reside há cerca de um ano por meio de um visto religioso. Em vídeos registrados desde início de março e que estão viralizando nesta terça-feira (24/3), Mila documentou o processo de separação após romper o silêncio.
Após o episódio mais recente, que culminou em sua hospitalização e na prisão do músico, Mila decidiu romper o silêncio e usar suas plataformas para expor a realidade vivida a portas fechadas, detalhando um histórico de abusos físicos e psicológicos, além da omissão por parte de líderes religiosos.
O estopim: o trabalho na internet
De acordo com os relatos de Mila, as brigas recentes começaram a se intensificar quando ela decidiu iniciar um trabalho como criadora de conteúdo digital. O crescimento de sua independência e sua presença online começaram a incomodar o marido, que possui mais de 55 mil seguidores nas redes sociais e trabalha para uma igreja local.
“Não faz nem um mês que eu comecei a gravar conteúdo pra internet e isso começou a incomodar ele. Ele me mandava abaixar o celular: ‘Não quero que você grave’”, desabafou a influenciadora. O estopim da agressão mais recente ocorreu quando Rick, um homem de quase dois metros de altura, tentou arrancar o telefone das mãos da esposa à força para impedi-la de gravar. Ao tentar proteger o aparelho, Mila foi violentamente atacada, resultando em hematomas severos espalhados pelos braços, rosto, pernas e lesões no pulso e no maxilar.
A tragédia só não foi maior graças à intervenção rápida da filha de Mila. Após agredir a esposa, o músico tentou invadir o quarto da enteada para confiscar o celular dela também. A jovem, no entanto, conseguiu trancar a porta e acionar a polícia americana. Os oficiais chegaram ao local acompanhados pelo corpo de bombeiros; Mila foi socorrida e levada ao hospital, enquanto Rick foi preso em flagrante.
Expulsão e negligência por parte da igreja
O pesadelo de Mila não terminou com a prisão do agressor. A família havia se mudado para os Estados Unidos a convite de uma igreja americana, que também foi a responsável por patrocinar o visto religioso de todos e fornecer a moradia.
Ao retornar do hospital, ainda fragilizada pelas agressões, Mila foi surpreendida com uma ordem de despejo imediata. Segundo a influenciadora, os pastores da congregação pediram que ela e a filha deixassem a casa, alegando que chamar a polícia havia sido um “escândalo desnecessário” e uma “vergonha” para a instituição, já que o agressor era músico do local.
“Eles viram o poder que tem a internet […] A pastora até ameaçou que, chamando a polícia, a gente poderia ser deportada daqui. Segundo ela, a gente sair da casa é uma consequência de ter chamado a polícia”, relatou Mila. Eles chegaram a cortar a internet da residência para tentar silenciá-la e impedir que ela pedisse ajuda online ou denunciasse o caso.
Histórico de agressões, quase morte e manipulação
Em seus vídeos, Mila revelou que esta não foi a primeira vez que sofreu nas mãos do marido. Em maio de 2024, ela deu entrada em um hospital da Flórida desacordada e com o maxilar quase fraturado, diagnosticada oficialmente com “Agressão Física” (Physical Assault). Na ocasião, as agressões cortaram a oxigenação de seu cérebro.
No entanto, ela acabou retirando a queixa e perdoando o marido devido a uma forte coação psicológica. “Eu fui extremamente manipulada, tanto pela igreja quanto por ele. Eles me falaram que era o demônio, que era a obra do inimigo sobre meu casamento, que eu deveria orar mais e jejuar”. Para piorar a pressão, familiares do agressor e o próprio músico, que havia sido transferido para uma clínica psiquiátrica penitenciária após ameaçar tirar a própria vida, ligavam constantemente implorando para que ela o soltasse, colocando sobre ela a responsabilidade pela vida dele.
Uma rede de apoio e um recomeço
Desta vez, a história tomou um rumo diferente. Apoiada por amigos e mentores digitais, como os influenciadores Luigi e Nat, Mila encontrou forças para não ceder à manipulação. A exposição do caso gerou uma onda de solidariedade, e ela e a filha foram acolhidas na casa de uma família brasileira nos Estados Unidos, onde estão abrigadas em segurança e reconstruindo suas vidas do zero.
Com uma equipe jurídica já acompanhando o caso, Mila se mantém firme na decisão de buscar justiça e deixa um alerta contundente para outras mulheres: “Muitas vezes o mesmo adorador do culto não é o mesmo homem que você tem dentro de casa. E não, violência doméstica não é um mero conteúdo a ser exposto na internet, violência doméstica é crime. Denuncie”.





