Na sessão ordinária da última segunda-feira (04), na Câmara Municipal de Vilhena, o presidente da Casa, Celso Machado, protagonizou um dos discursos mais firmes do ano ao abordar a situação crítica da saúde pública do município. Em tom direto e pessoal, ele denunciou falhas na gestão, cobrou transparência e criticou a postura do Executivo diante das demandas do Legislativo.
Logo no início, Celso Machado destacou que não tem o hábito de discursar longamente, mas afirmou que a gravidade do momento exigia posicionamento claro. Segundo ele, há uma necessidade urgente de “transparência”, especialmente na condução dos contratos e pagamentos na área da saúde.
Críticas à gestão da saúde e à Santa Casa
O parlamentar relembrou que participou da idealização do atual modelo de gestão da saúde municipal, que inicialmente apresentou bons resultados, como a redução de filas para cirurgias e exames. No entanto, apontou que, após os primeiros anos, começaram a surgir problemas graves.
Um dos principais alvos das críticas foi a relação com a Santa Casa de Chavantes, responsável por serviços no município. Celso Machado afirmou que, apesar de reconhecer uma dívida milionária — mencionada em cerca de R$ 17 milhões —, houve omissão da instituição por não ter procurado a Câmara anteriormente para expor a real situação.
Ele também relatou dificuldades enfrentadas por profissionais de saúde, incluindo atrasos salariais e pressões internas. Segundo o discurso, médicos que se manifestaram sobre a crise teriam sofrido retaliações.
Falta de transparência e reuniões sem a Câmara
Outro ponto central foi a denúncia de falta de transparência por parte da Secretaria Municipal de Saúde e do Executivo. Celso Machado criticou a realização de reuniões importantes sem a presença de representantes do Legislativo, mesmo quando vereadores solicitaram participação.
Além disso, afirmou que requerimentos oficiais da Câmara não foram respondidos dentro do prazo, classificando a atitude como desrespeito institucional.
“Isso não é um pedido de um vereador, é o plenário. E até agora não tivemos resposta”, enfatizou.
Defesa do papel fiscalizador
Celso Machado reforçou que a Câmara tem o dever constitucional de fiscalizar e não aceitará ser ignorada. Ele destacou que os vereadores foram eleitos para representar a população e garantir o uso correto dos recursos públicos.
Como encaminhamento, informou que a Casa passou a exigir prestação de contas prévia para qualquer novo repasse à saúde — medida que, segundo ele, deveria ser ampliada para todas as áreas da administração.
Clima de tensão política
O discurso também revelou um ambiente de tensão política. Celso Machado relatou ataques pessoais e tentativas de descredibilização, incluindo acusações de corrupção, que classificou como injustas e dolorosas.
Apesar disso, afirmou que continuará atuando com firmeza:
“Não sou covarde, não corro da raia. Quanto mais tentam esconder, mais a verdade aparece.”
Alerta sobre o futuro da saúde
Ao final, o parlamentar demonstrou preocupação com o futuro do sistema de saúde em Vilhena, especialmente diante da possibilidade de mudanças na gestão do contrato atual. Segundo ele, há risco de agravamento da crise caso não haja planejamento técnico adequado. O discurso foi encerrado com um recado direto: a Câmara está ativa, vigilante e não aceitará ser colocada à margem das decisões.
A fala repercute como um marco no debate sobre a saúde municipal, evidenciando não apenas problemas administrativos, mas também um embate institucional entre Legislativo e Executivo que tende a ganhar novos capítulos nas próximas sessões.






