Reeleito para o quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará agora uma saia justa: a dificuldade para acomodar em seu novo governo uma “penca” de petistas e aliados derrotados no pleito deste ano.
Dirigentes do PT citaram, em conversas com a Coluna do Estadão, ao menos uma dezena de nomes que perderam disputas estaduais, mas que contribuíram para a campanha de Lula.
Na avaliação de correligionários de Lula, ministérios considerados estratégicos, como Casa Civil, Justiça e Relações Exteriores tendem a ficar nas mãos do PT. O partido também reivindica a Fazenda, mas, diante da necessidade de Lula enviar sinais de austeridade ao mercado, é difícil deixar a pasta com a própria legenda. O nome de Geraldo Alckmin (PSB) é cotado. Além disso, será preciso abrir espaço para acomodar políticos de outras siglas que trabalharam pela sua reeleição.
Após perderem o pleito para os governos de Pernambuco e do Rio, respectivamente, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) são dois desses nomes. Campos colou sua imagem à de Lula durante a campanha no Estado, mas não conseguiu superar a governadora Raquel Lyra (PSD), reeleita em primeiro turno.
Após a derrota, o pernambucano ficou circulando no entorno da campanha presidencial. Foi ao Senado, em Brasília, por exemplo, para acompanhar a votação da proposta que acabou com a escala trabalhista de 6×1. Ele também participou de ato com Lula em São Luís, capital maranhense, e esteve ao lado do petista nos dois debates presidenciais, o da Band/Estadão e o da TV Globo.

Reeleito para um quarto mandato, Lula terá o desafio de acomodar aliados derrotados em disputas estaduais Foto: Instagram @joaocampos
No primeiro confronto entre os candidatos ao Palácio do Planalto, também estavam na plateia as candidatas ao Senado derrotadas em São Paulo, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). A ex-ministra do Meio Ambiente recebeu sinalização de Lula em seu discurso da vitória. Para Simone não houve nenhum aceno ainda.
Eduardo Paes, derrotado no Rio, irritou petistas ao esconder o presidente durante a campanha de primeiro turno no Estado, berço político da família Bolsonaro. Após a derrota para Douglas Ruas, porém, mergulhou de forma mais direta na campanha e a avaliação é de que houve resultado. Na capital, reduto de Paes, Lula conseguiu superar Flávio Bolsonaro nas eleições deste domingo, 25.
No MDB há dois nomes que foram fiéis a Lula durante todo o governo Lula 3. Renan Filho, ex-ministro dos Transportes que perdeu na disputa pelo governo de Alagoas, e o ex-governador do Pará Helder Barbalho. O líder do governo no Senado Randolfe Rodrigues (PT-AP), um dos integrantes da tropa de choque petista, é outro que não se reelegeu e ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027.
A ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL), derrotada para vaga ao Senado pelo Rio Grande do Sul, também aguarda na fila. Desde que Lula foi eleito para a atual gestão, ela alimenta a expectativa de ser indicada para a área da comunicação do Planalto. Não conquistou o espaço neste mandato. “O que fazer com ela agora?”, questiona um petista.
Disputa entre petistas por vaga ministerial é grande
Os ex-ministros Fernando Haddad, Paulo Pimenta e Gleisi Hoffmann ficaram sem mandato e aguardam um lugar. Mas, por ora, o mais cotado para uma vaga de destaque na equipe palaciana é o senador Camilo Santana. Ele virou um “socorrista” de Lula em momentos graves e está ganhando espaço.
O primeiro “incêndio” que Camilo apagou foi quando virou líder do governo no Senado após o desgaste de Jaques Wagner (BA) pelo envolvimento com o Banco Master. Depois, assumiu a coordenação da campanha no segundo turno, superado o baque sofrido por Lula com o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Quadro histórico do PT, Benedita da Silva ajudou na aproximação com o eleitorado evangélico e é outro nome sempre citado entre os pares com gratidão.


