No dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, aliados do político deram sinalizações públicas de virar a página sobre a eleição e mirar no futuro. Após dizer que iria liderar a oposição, mas fugir para os Estados Unidos, o candidato derrotado nas eleições presidenciais abriu espaço para que um novo nome assuma esse papel.
Em Brasília, a máxima entre parlamentares e ministros é de que não existe vácuo na política. Quando um nome submerge, naturalmente surgem outros. Ao fim de uma eleição, a política já inicia movimentos de olho na próxima. Em 2030, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estará mais na disputa nacional e a família Bolsonaro terá o histórico de ter perdido duas eleições consecutivas.
Enquanto o paradeiro de Flávio não era confirmado na terça-feira (27/10), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo o senador pela corrida eleitoral e defendendo a união da direita em uma oposição vigilante ao governo federal.
Em aceno aos eleitores, o governador disse que a “eleição acabou”, mas permaneceu o desejo de parte de população por uma mudança. Tarcísio agradeceu pela mobilização durante a campanha.
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do Metrópoles
“A eleição passou, mas não passam estas imagens. O povo nas ruas, vestido de verde e amarelo, tomado por um sentimento de mudança. Foram 60 milhões de brasileiros e a cada um de vocês, obrigado”, declarou.
E complementou: “Agora é hora de unidade, de uma oposição vigilante, que cobre responsabilidade fiscal, que proponha aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos.”
Além dele, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também foi para as redes sociais registrar sua reunião com a ex-primeira-dama e senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL-DF), para tratar sobre o futuro.
“Recebi hoje a senadora eleita Michelle Bolsonaro para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente. Seguimos unidos, com diálogo, responsabilidade e compromisso com o Brasil”, declarou no X.
Apesar de parte dos aliados de Flávio irem a público buscando justificar a saída dele do Brasil, nos bastidores, houve uma irritação com a postura do senador.
Como mostrou o Metrópoles, a reclamação é que Flávio voltou a descumprir o que havia prometido: na véspera, disse que permaneceria no país e se dedicaria a organizar a oposição ao novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diante de um dia de desorganização da oposição, Tarcísio escolheu ir a público reconhecer o resultado das eleições e passar acenos ao eleitor com discurso a favor de temas como o corte de gastos e o combate ao crime organizado. Na mesma entoada, o presidente do PL evitou dar qualquer declaração sobre a postura de Flávio e escolheu publicar uma foto ao lado de Michelle.
Antes da benção do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho 01 concorrer à Presidência, parte do Centrão e até alas do PL defendiam a chapa Tarcísio-Michelle para a Presidência. A ideia, no entanto, não prosperou. A eleição passou, Flávio foi derrotado, e existe um campo aberto para 2030.
Fuga de Flávio
- A saída de Flávio do país foi organizada com a ajuda de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos para evitar vazamentos.
- A fuga ocorreu depois da intimação para que ele entregasse os passaportes para a Polícia Federal (PF).
- A intimação para entregar os passaportes foi dada no âmbito da investigação que apura lavagem de dinheiro e evasão por parte do senador e do empresário Willer Tomaz. Os crimes teriam sido cometidos em empresas de apostas e plataformas de pagamento.
- O pedido de apreensão dos passaportes foi feito pela PF e atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Casa Branca confirma visto para a família
O governo dos Estados Unidos confirmou ao Metrópoles nesta terça que o país emitirão vistos para o senador e seus familiares.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite dessa terça-feira (27/10) que aprovou a ida de Flávio ao país, mas que não sabe onde ele está.



