Depois de uma madrugada marcada por tensão, emoção e longos debates no plenário do Tribunal do Júri, a Justiça de Vilhena condenou, por volta das 3h da madrugada de sábado (25), dois acusados de participação no assassinato do dentista Clei Bagattini, executado a tiros dentro da própria clínica odontológica em julho de 2024.
A sessão teve início ainda na manhã do dia anterior e mobilizou promotores, advogados, familiares da vítima e grande atenção pública, devido à repercussão do crime em todo o estado. O Ministério Público de Rondônia atuou com dois promotores, sustentando que o homicídio foi resultado de uma ação planejada e executada com divisão de funções entre os envolvidos.
De acordo com as investigações, o autor dos disparos se passou por paciente para conseguir acesso ao consultório. Um dia antes do crime, ele teria marcado consulta usando nome falso para observar o ambiente e confirmar a rotina do dentista. No dia da execução, retornou ao local, entrou normalmente para atendimento e efetuou vários disparos à queima-roupa, inclusive no rosto da vítima.
Durante o julgamento, 17 testemunhas foram ouvidas, entre familiares, policiais e pessoas ligadas ao caso. O depoimento da mãe do dentista emocionou o plenário ao descrever o filho como trabalhador, alegre e dedicado à profissão, afirmando que ele não possuía inimigos conhecidos.
Os debates entre acusação e defesa foram intensos ao longo do julgamento. Em determinado momento, a juíza Liliane Pegoraro Bilharva determinou a retirada do público do plenário após a defesa apresentar informações consideradas sigilosas de outro inquérito e citar nomes de pessoas que não estavam sendo julgadas, medida adotada para preservar investigações paralelas.
Segundo o Ministério Público, o crime teria sido articulado por um grupo organizado que se reuniu na noite anterior ao homicídio para acertar os últimos detalhes da execução. Uma das denunciadas teria auxiliado no planejamento ao agendar um segundo horário na clínica, funcionando como alternativa caso o primeiro acesso não fosse possível, enquanto outros envolvidos teriam garantido apoio logístico e fuga ao executor.
Após os disparos, o assassino fugiu em uma motocicleta, trocou de veículo com apoio de comparsas e deixou a cidade. O atirador foi identificado como Maico da Silva Raimundo, apontado como pistoleiro contratado. Meses depois do crime, ele morreu em confronto com policiais no estado do Mato Grosso, o que impediu seu julgamento.
Apesar das condenações, o júri não conseguiu esclarecer a motivação do assassinato nem identificar quem teria ordenado a execução do dentista, questão que ainda permanece sem resposta nas investigações.
Apontado como intermediador da contratação do executor, Maikon Sega Araújo foi condenado a 23 anos e 4 meses de prisão em regime fechado. A magistrada destacou o histórico criminal do réu e negou o direito de recorrer em liberdade.
Já Raqueline Leme Machado, namorada de Maikon, recebeu pena de 6 anos de prisão, com início em regime semiaberto e direito de recorrer em liberdade, conforme o grau de participação reconhecido pelos jurados.
O resultado do julgamento representa um avanço na responsabilização criminal pelo caso que abalou Vilhena, embora o mandante do crime ainda permaneça desconhecido.



