A divulgação oficial das tarifas de pedágio previstas para a BR-364 gerou forte reação entre moradores de Rondônia e usuários da rodovia. Considerada o principal corredor logístico do estado, a BR-364 é essencial para o transporte de cargas, produção agrícola, abastecimento e deslocamento da população. Diante desse cenário, os valores anunciados foram recebidos com críticas e apontados como desproporcionais à realidade da via, historicamente marcada por problemas estruturais, alto índice de acidentes e constantes prejuízos aos usuários.
A insatisfação se espalhou rapidamente, sobretudo entre caminhoneiros, produtores rurais e empresários do setor de transporte. Pelos valores divulgados, um caminhão de 9 eixos pode pagar mais de R$ 1.300 ao atravessar sete pórticos, ultrapassando R$ 2.600 no trajeto de ida e volta. Para os usuários, os custos elevados contrastam com as condições atuais da rodovia, que ainda enfrenta trechos críticos e demanda melhorias estruturais.

Concessionária atribui valores ao modelo de concessão
Diante da repercussão negativa, a concessionária Nova 364, responsável pela administração da rodovia, divulgou nota esclarecendo que os valores das tarifas seguem critérios estabelecidos pelo programa federal de concessões rodoviárias.
Segundo a empresa, as tarifas foram definidas a partir de estudos técnicos, que consideram fatores como volume de tráfego, investimentos previstos, custos operacionais e viabilidade econômica do contrato. A concessionária afirma que os valores não foram estipulados de forma isolada, mas fazem parte do modelo regulatório adotado pelo governo federal.
Descontos previstos não convencem usuários
Entre os pontos apresentados pela concessionária está a concessão de 5% de desconto para motoristas que utilizarem TAG eletrônica no pagamento do pedágio. A medida, no entanto, foi considerada insuficiente por usuários da rodovia, diante do valor final das tarifas.
A Nova 364 também informou a existência de um desconto progressivo, que pode chegar a até 93% na 30ª passagem, desde que o deslocamento ocorra pelo mesmo pórtico, no mesmo sentido e dentro do mesmo mês. Para muitos usuários, o benefício atende a um perfil restrito e não contempla quem percorre longas distâncias com menor frequência.
Investimentos anunciados e questionamentos
A concessionária afirma já ter investido mais de R$ 400 milhões na BR-364, com ações que incluem recuperação do pavimento, implantação de sinalização, oferta de serviços de guincho, ambulâncias e bases de atendimento ao usuário.
Apesar disso, o anúncio dos investimentos não foi suficiente para conter as críticas. Entidades ligadas ao transporte e ao setor produtivo questionam se os custos anunciados justificam o valor das tarifas, especialmente considerando o impacto direto sobre o frete e a economia regional.
Impacto econômico preocupa setores produtivos
Outro ponto destacado pela Nova 364 é a geração de cerca de 1.500 empregos diretos com a concessão. O dado é visto como positivo, porém usuários da rodovia alertam que o aumento no custo do pedágio tende a refletir diretamente no preço do frete e, consequentemente, no valor final de produtos e serviços.
Para caminhoneiros, produtores rurais e comerciantes, o encarecimento do transporte pode afetar toda a cadeia econômica, com reflexos no custo de vida da população.
Debate segue aberto
No encerramento da nota, a concessionária afirma reconhecer que o modelo de concessão gera debates e considera as discussões legítimas. Enquanto isso, usuários da BR-364 seguem cobrando maior equilíbrio entre investimentos, tarifas e a realidade econômica de Rondônia.
O tema continua gerando repercussão e deve permanecer em debate nos próximos dias, envolvendo autoridades, representantes do setor produtivo e a sociedade civil.