Em depoimento, Larissa Monteiro e Bruno Lucas Ribeiro detalharam o crime. O bebê foi asfixiado logo após o nascimento
O casal Larissa M. C., de 22 anos, e Bruno L. R. S., de 29 anos, preso no último sábado (25), confessou à Polícia Civil do Rio de Janeiro a morte do próprio filho recém-nascido logo após o parto, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo os depoimentos prestados pelos dois, aos quais a investigação teve acesso, ambos confirmaram que o bebê nasceu com vida e que teria sido morto por asfixia, mas cada um apresentou uma versão diferente sobre quem teria cometido diretamente o crime.
Durante o depoimento, Larissa afirmou que não desejava ficar com a criança e relatou aos investigadores que teria pensado em entregar o bebê para adoção ou deixar a responsabilidade com Bruno. Segundo ela, após afirmar novamente que não cuidaria do filho, o companheiro teria decidido participar da morte da criança. A jovem contou que ouviu o bebê chorar após o nascimento e que pediu para Bruno retirar a criança do local.
Na versão apresentada por Larissa, Bruno teria usado um pano para impedir que o recém-nascido respirasse. Ela afirmou que o companheiro teria comentado que a criança era “forte”, porque teria demorado a parar de chorar. Ainda segundo o relato, após o crime, ela teria pedido que Bruno enterrasse o corpo do bebê, mas disse que não sabe o que aconteceu depois porque teria desmaiado.
Já Bruno apresentou uma versão diferente aos policiais. Segundo ele, teria sido Larissa quem colocou um pano sobre o rosto do recém-nascido para impedir a respiração, enquanto ele permaneceu em estado de choque acompanhando a situação. O homem relatou que a companheira teria utilizado uma camiseta dele e que teria pressionado o tecido contra a cabeça da criança.
De acordo com o depoimento de Bruno, o bebê teria demorado a perder os sentidos e, posteriormente, o casal teria ido até o quintal da residência, onde Larissa teria apertado o pescoço da criança enquanto continuava impedindo a passagem de ar. Ele afirmou que, naquele momento, a jovem teria novamente dito que o bebê era “muito forte”. Após a morte da criança, Bruno declarou que colocou o corpo dentro de dois sacos de lixo.
A descoberta do caso aconteceu depois que Larissa passou mal e precisou ser levada para uma unidade hospitalar da região. Durante o atendimento médico, profissionais perceberam sinais de que ela havia passado por um parto recente e questionaram sobre o paradeiro do bebê. A família, que segundo a investigação não sabia da gravidez, foi informada de que a criança estava morta em um cômodo nos fundos da residência.
Após a descoberta, familiares localizaram o corpo do recém-nascido e o levaram até a unidade de saúde. O casal foi encontrado e preso no bairro Jardim Primavera, sendo autuado em flagrante pelo crime de homicídio qualificado. A Polícia Civil segue investigando a dinâmica da morte e busca esclarecer qual foi a participação de cada um dos envolvidos.
Na terça-feira (28), a Justiça do Rio de Janeiro decidiu converter a prisão em flagrante do casal em prisão preventiva. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro defendeu a manutenção das prisões alegando a necessidade de preservar a ordem pública, garantir a continuidade das investigações e evitar possíveis interferências na produção de provas e nos depoimentos de testemunhas.
Na decisão, a Justiça destacou a gravidade do crime, a crueldade atribuída aos investigados e a necessidade de manter os dois presos durante o andamento do processo. O pedido da defesa de Larissa para que ela cumprisse prisão domiciliar também foi negado, sob o argumento de que não foram apresentados documentos médicos suficientes que comprovassem a impossibilidade de atendimento adequado dentro do sistema prisional.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, enquanto o casal permanece preso à disposição da Justiça. As autoridades ainda aguardam novos elementos periciais que possam confirmar a dinâmica da morte e definir a responsabilidade individual de cada suspeito no assassinato do recém-nascido.


