Em mais um capítulo daqueles que desafiam qualquer roteirista de comédia política, uma comitiva de parlamentares da base governista desembarcou nos Estados Unidos com uma missão considerada por muitos, no mínimo, curiosa: convencer interlocutores ligados ao Partido Democrata de que a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas talvez não seja uma ideia tão adequada assim.
Segundo informações obtidas pelo portal de notícias Hora1Rondônia, a justificativa apresentada gira em torno da defesa da soberania nacional, do respeito à legislação brasileira e da necessidade de cooperação internacional sem interferências externas. Em outras palavras, a mensagem seria algo próximo de: “Queremos ajuda para combater o crime organizado, mas sem que ninguém de fora tire conclusões próprias sobre quem são os criminosos”.
A agenda da comitiva inclui reuniões com representantes de organismos internacionais e políticos americanos alinhados à oposição do presidente Donald Trump. O detalhe que chamou atenção foi justamente a ausência de encontros com integrantes do partido do próprio presidente norte-americano ou representantes da Casa Branca, o que levou observadores a compararem a estratégia a tentar mudar o resultado de uma partida conversando apenas com a torcida adversária.
O documento elaborado pelos parlamentares propõe medidas como compartilhamento de inteligência, fortalecimento da cooperação policial, rastreamento de armas, combate ao tráfico de pessoas e integração entre órgãos de segurança dos dois países. A lista é extensa e demonstra que Brasil e Estados Unidos concordam em praticamente tudo quando o assunto é combater organizações criminosas, exceto talvez na definição de quão perigosas essas organizações realmente são.
Enquanto isso, o cidadão comum acompanha a situação tentando entender a lógica do debate. Afinal, em um país onde facções criminosas controlam territórios, movimentam bilhões de reais e desafiam o Estado diariamente, a preocupação diplomática parece ter migrado da existência do problema para a forma como o problema é classificado. Para muitos brasileiros, a dúvida já não é se as facções representam uma ameaça grave, mas se o maior desafio será encontrar o nome politicamente correto para descrevê-las.
Ao final da missão, resta saber se a viagem produzirá resultados concretos ou apenas renderá mais um episódio para a coleção de acontecimentos que parecem ficção, mas insistem em acontecer na vida real. Afinal, quando o assunto é política, frequentemente a realidade consegue superar qualquer exercício de ironia.




