As sucessivas operações realizadas pela Polícia Federal em conjunto com órgãos ambientais para combater o garimpo ilegal nas águas do Rio Madeira, em Rondônia, têm provocado debates e preocupação entre moradores de comunidades ribeirinhas, especialmente na região do bairro Madeira, em Porto Velho, onde as ações têm sido mais frequentes.
De acordo com informações divulgadas pela própria Polícia Federal, as ofensivas têm como principal objetivo reprimir a extração ilegal de ouro, atividade que utiliza estruturas de médio e grande porte, como dragas, balsas e motores, além do uso de mercúrio — substância altamente tóxica que contamina a água, os peixes e coloca em risco a saúde humana.
EMBARCAÇÕES DESTRUÍDAS E ESTRUTURA DO GARIMPO
Na mais recente fase da operação, realizada neste mês de fevereiro, foram inutilizadas 29 embarcações utilizadas diretamente na atividade criminosa. Segundo os órgãos federais, a destruição ocorre quando não há viabilidade técnica ou logística para remoção do material do local.
Outras ações realizadas ao longo de 2025 também resultaram na destruição de dezenas de dragas e balsas, chegando a centenas de equipamentos neutralizados em diferentes pontos do Rio Madeira, com prejuízo bilionário às organizações que exploram ilegalmente o minério.
Em algumas operações, foi confirmado o uso de explosivos para inutilizar as estruturas no próprio leito do rio, medida autorizada por decisão judicial dentro das estratégias de combate ao crime ambiental.
OBJETIVO: CONTER CRIME AMBIENTAL E CONTAMINAÇÃO POR MERCÚRIO
As forças federais afirmam que o garimpo ilegal provoca:
- contaminação da água por mercúrio
- destruição do leito do rio
- impacto direto na fauna aquática
- prejuízos às comunidades indígenas e ribeirinhas
Além disso, a presença de estruturas de grande porte indica atuação de organizações criminosas com capacidade de exploração em larga escala.
PREOCUPAÇÃO DE MORADORES COM EXPLOSÕES DENTRO DO RIO
Apesar do objetivo de combater crimes ambientais, moradores e trabalhadores que dependem da pesca relatam preocupação com a forma como os equipamentos vêm sendo destruídos.
O principal questionamento é que a detonação de balsas e dragas dentro do rio pode:
- espalhar combustível, óleo e resíduos
- afetar peixes e outras espécies aquáticas
- contaminar a água utilizada para consumo e preparo de alimentos
A água do Rio Madeira ainda é utilizada diretamente por muitas famílias ribeirinhas para beber, cozinhar e para a atividade pesqueira, o que aumenta o temor quanto aos impactos dessas explosões no ecossistema local.
DEFESA DO PODER PÚBLICO
As autoridades sustentam que a inutilização no local segue protocolos legais e ocorre justamente para impedir que os equipamentos voltem a ser utilizados pelos garimpeiros, já que a retirada completa das estruturas em áreas remotas é considerada, em muitos casos, inviável do ponto de vista operacional.
OPERAÇÕES PERMANENTES NO RIO MADEIRA
As ações fazem parte de uma estratégia contínua de repressão ao garimpo ilegal na Amazônia, com operações sucessivas ao longo dos últimos anos, demonstrando a permanência das forças de fiscalização na região.
DEBATE ENTRE COMBATE AO CRIME E IMPACTO SOCIAL
Enquanto o governo federal e os órgãos ambientais apontam que as operações são essenciais para conter crimes ambientais e proteger o rio, comunidades tradicionais cobram alternativas que reduzam os impactos das ações dentro da água, como a retirada das estruturas para destruição em terra firme.
O tema envolve um cenário complexo que reúne:
- combate ao crime organizado
- preservação ambiental
- sobrevivência de famílias ribeirinhas
- saúde pública
e segue sendo motivo de discussão em Rondônia.
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