Depois de mais de uma década de reivindicações públicas e insistentes por parte dos barqueiros, uma decisão com forte peso político e simbólico recoloca o rio Madeira e a Estrada de Ferro no centro da experiência turística da capital. O secretário municipal de Turismo, Esporte e Lazer, Paulo Moraes Jr., ouviu o setor, conduziu o diálogo e atendeu a uma demanda histórica: os passeios de barcos tradicionais voltam a ter acesso pelo Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
A partir deste sábado, 24 de janeiro, quem quiser viver a experiência do passeio pelo rio Madeira poderá embarcar diretamente pelo espaço que simboliza a força humana, o trabalho e a origem de Porto Velho. A decisão encerra um ciclo de mais de dez anos em que os embarques aconteciam fora do complexo histórico, cenário que gerou críticas recorrentes e um distanciamento evidente entre turismo, memória e identidade.
Nos bastidores, o tema sempre foi tratado como sensível. O retorno ao complexo exigiu mais do que decisão política: demandou escuta ativa, articulação técnica e respeito a um protocolo extenso, próprio de áreas tombadas e de alto valor histórico. Paulo Moraes Jr. assumiu esse processo, dialogou diretamente com os barqueiros, reconheceu a legitimidade da reivindicação e conduziu os encaminhamentos necessários para viabilizar a retomada com responsabilidade institucional.
Um ponto decisivo para que a medida se tornasse realidade foi a autorização do Iphan, que permitiu a instalação de um deck no Complexo da Madeira-Mamoré. A estrutura garante que o embarque e desembarque dos passageiros ocorram de forma segura, confortável e organizada, sem comprometer a preservação do patrimônio histórico. O reconhecimento ao papel do Iphan é parte essencial desse avanço.
Mais do que uma alteração operacional, a volta dos passeios pelo Complexo da Madeira-Mamoré representa uma escolha política clara: ouvir quem vive do rio, respeitar a história da cidade e alinhar discurso e prática. Ao assumir esse posicionamento, Paulo Moraes Jr. reforça uma visão de turismo baseada em identidade, pertencimento e diálogo, valores que por anos estiveram ausentes desse debate.
O retorno dos passeios não é apenas um novo ponto de embarque. É a correção de um afastamento histórico, construída a partir da escuta, da decisão política e do respeito à memória de Porto Velho.