Estrutura inédita consolida políticas de bem-estar animal e atende população em vulnerabilidade
Protetora voluntária desde 2009, a autônoma Maria Constância de Oliveira Lima dedica grande parte da sua rotina ao amor, resgate e cuidado aos animais em situação de vulnerabilidade em Porto Velho. Atualmente, ela abriga 51 pets, entre cães e gatos, muitos sem chances de adoção, que permanecem sob seus cuidados na residência e em uma chácara.
A realidade, segundo ela, já foi mais difícil para quem atua na causa animal, especialmente pela ausência de serviços públicos estruturados e contínuos voltados ao atendimento veterinário.
“Antes, não tínhamos um serviço como este. A excelência da Clínica do Bem-Estar Animal é notável. O atendimento, o profissionalismo dos médicos, a dedicação de toda a equipe e a recuperação dos animais fazem toda a diferença. Nunca tivemos no nosso estado uma estrutura tão boa como esta”, destacou.
Pedro Ramon afirma que a unidade oferece atendimento veterinário e castrações à população carente e protetoresO serviço é disponibilizado pela Prefeitura de Porto Velho desde outubro de 2025, quando, seguindo o planejamento de gestão do prefeito Léo Moraes, foi inaugurada a primeira clínica veterinária pública para atendimentos gratuitos em Rondônia.
Equipada com canis de internação, aparelho de raio-x, ultrasson, instrumentos de castração e mesa cirúrgicas, entre outros, a clínica funciona no mesmo espaço do Centro de Controle de Zoonoses, na Av. Mamoré, bairro Três Marias, região Leste da cidade.
Médico veterinário e Coordenador de Proteção Animal da clínica, Pedro Ramon explica que a unidade disponibiliza serviços de atendimento veterinário e castrações à população mais humilde de Porto Velho e aos cuidadores e protetores voluntários.
Entre os requisitos para garantir atendimento ao seu pet, os tutores precisam ser cadastrados no CadÚnico“A unidade é de grande importância, pois é pioneira em nosso estado. Ela proporciona o controle populacional através da castração dos animais, especialmente os animais de rua. Além disso, oferece atendimento veterinário de qualidade para aqueles que não têm condições de procurar atendimento particular”, disse.
Entre os requisitos para garantir atendimento ao seu pet, os tutores precisam ser cadastrados no CadÚnico, apresentar comprovante de residência em Porto Velho e documento pessoal com foto. Em casos de urgência e emergência, o atendimento é prestado independentemente do cadastro, sendo que nenhum animal é deixado sem atendimento.
Com relação aos protetores independentes, Pedro Ramon informa que o atendimento é fornecido mediante cadastramento deles e dos animais que estão sob os seus cuidados, principalmente para castração. Além disso, também são disponibilizadas consultas de rotina.
AGENDAMENTO E SERVIÇOS
O veterinário explica ainda que o agendamento para atendimento de cães e gatos é realizado somente para os casos de castrações. “O procedimento consiste no cadastro do animal, seguido do agendamento de um dia para coleta de exame de sangue e outro dia para a realização do procedimento cirúrgico”, completou.
Para as consultas, o atendimento é realizado por de agendamento ou, em casos de urgência e emergência, por meio de triagem.
A clínica oferece consultas veterinárias de rotina. Em situações de urgência e emergência, o atendimento é feito após realização da triagem. Além disso, castrações e cirurgias de emergência, incluindo o atendimento a animais vítimas de atropelamento ou envenenamento.
O acolhimento inicial é feito no consultório, com encaminhamento para a enfermaria, se necessário. “Dispomos de exames de imagem, como ultrassonografia e radiografia, e, em casos que requerem intervenção cirúrgica, utilizamos o centro cirúrgico”, explicou.
PROCEDIMENTOS PARA CASTRAÇÃO
Para iniciar o processo de castração na clínica, é necessário realizar um cadastro. Inicialmente, não é preciso levar o animal. Depois desse procedimento feito pelo tutor, é agendada a coleta de exames de sangue do pet.
Se o resultado do exame estiver dentro dos parâmetros normais, o animal é prontamente encaminhado para a castração. Caso haja alguma alteração nos exames de sangue, ele passará por uma consulta clínica.
“Para serem castrados, os animais devem ter, no mínimo, oito meses de idade, tanto machos quanto fêmeas. Além disso, as fêmeas não podem estar no cio nem em período recente de lactação”, explicou o veterinário Pedro Ramon.
ESTRUTURA DA CLINICA
Além de canis de internação, aparelho de raio-x, ultrasson, instrumentos de castração e mesa cirúrgicas, a estrutura também contempla duas salas de enfermagem, sendo uma para atendimento de gatos e doenças infectocontagiosas e outra para atendimento geral, salas para exames de imagem, área de internação, sedação inalatória e dois centros cirúrgicos.
Conforme o veterinário, atualmente existem seis vagas de internação. A rotatividade dessas vagas é gerenciada para garantir a capacidade de receber novos pacientes, que são acolhidos por uma equipe de 18 profissionais.
O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. “Lembrando que somos uma clínica veterinária, não um hospital, ou seja, não disponibiliza atendimento 24h”, frisou.
BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE PÚBLICA
Sobre os benefícios para a saúde pública como um todo, Pedro Ramon esclarece que a unidade faz a integração entre a saúde humana e animal, por meio da redução do número de animais em situação de rua.
Nesse sentido, a Prefeitura oferece castrações e, consequentemente, evita a proliferação de animais que possam ser portadores de zoonoses e transmiti-las aos seres humanos. “Este é o foco principal, pois dessa forma reduzimos a população de animais abandonados”, enfatizou.
ORGANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO
Diariamente são distribuídas dez fichas para atendimentos (consultas) iniciais. Quem chegar depois, passa por uma triagem. Se for considerado um caso de urgência ou emergência, com risco à vida do animal, o pet é atendido. Por conta disso, a média é de 40 atendimentos diários.
Sobre os remédios disponibilizados, o veterinário explicou: “Aqui a gente tem a medicação para fazer na enfermagem da clínica, mas a medicação que a gente receita tem que ser comprada por conta do responsável pelo animal”.
Texto: Augusto Soares
Foto: José Carlos
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)







