Um dia antes de ir aos EUA, Flávio Bolsonaro gravou vídeo dizendo que ‘jamais deixaria o Brasil’
Senador é investigado em dois inquéritos no STF e, sem cargo político para o próximo ano, fica sem foro privilegiado. Crédito: Instagram/@flaviobolsonaro
O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou nesta terça-feira, 27, aos Estados Unidos com sua mulher e duas filhas. A informação foi divulgada pela CNN e confirmada ao Estadão/Broadcast por integrantes do governo americano.
Nesta terça, a Polícia Federal comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que Flávio descumpriu a ordem judicial para entrega dos seus passaportes. Por isso, a PF realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.

Derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro chega aos EUA com mulher e filhas Foto: Wilton Junior/ Estadão
O Departamento de Estado dos EUA informou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família. O candidato do PL não reconheceu a derrota nas urnas ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. O petista foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% de Flávio – por uma diferença de 4,4 milhões de votos.
O mandato de Flávio como senador termina em 31 de janeiro de 2027, data em que perde o foro por prerrogativa de função. Um dia após a derrota para Lula – quando disse que pediria a anulação das eleições -, Flávio disse nesta segunda-feira que iria “organizar” a oposição ao governo.
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Em vídeo, ele afirmou, nesta segunda-feira, 26, que não sairia do País e que entregaria o passaporte à PF, seguindo a intimação que recebeu na manhã daquele dia.
“Eu nunca pensei em sair do País. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, disse o Flávio na véspera de deixar o Brasil.
No vídeo, Flávio afirmou ainda que a decisão de Moraes teria como motivação uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), feita em um podcast americano. No programa, realizado na sexta-feira anterior ao dia da eleição, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o País, caso perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso”, disse o senador.
Alvo de investigações
Alvo de investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) e de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador está sujeito a desdobramentos que podem resultar em uma eventual condenação penal ou em sua inelegibilidade. A situação ganha um novo contorno com a proximidade do fim de seu mandato, em janeiro de 2027, quando Flávio ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em 24 anos e perderá as prerrogativas parlamentares.
Uma das investigações já levou à imposição de medidas cautelares contra o senador. Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que também proibiu sua saída do País e o impediu de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
A investigação teve origem em uma apuração da Polícia Federal sobre plataformas de apostas e pagamentos digitais. Ao analisar dados extraídos da nuvem do advogado, os investigadores identificaram registros de encontros e viagens envolvendo Flávio, além de documentos que mencionavam o senador como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding. O material foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, em razão do foro do parlamentar, e distribuído a Moraes.
Outra investigação no Supremo apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os recursos destinados à produção foram negociados pelo senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas aos repasses para a produção. Em outubro, a Polícia Federal pediu mais 90 dias para concluir a investigação, incluindo perícias contábeis e diligências nos Estados Unidos para rastrear o destino dos recursos.


