BRASÍLIA — A decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques de impedir a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula” inclui recados importantes ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. O mais eloquente é que, se o presidente quiser derrubar o canal às vésperas do segundo turno, vai enfrentar oposição interna e pressão para que a decisão seja revertida antes do domingo, 25.
Floriano Marques impediu, em seu despacho, que Nunes Marques suspenda o canal sem o aval do plenário do TSE. A última frase da decisão desta sexta-feira, 23, resume o ânimo de boa parte dos ministros do TSE: “Longe de caracterizar censura à condução desta Presidência, a presente tutela se presta a reforçar sua atuação e a confiança nela depositada”.

Nunes Marques enfrenta pressão de colegas no TSE Foto: Antonio Augusto/ESTADAO
No TSE, havia expectativa que Nunes Marques derrubasse o canal novamente. Antes que o presidente tomasse qualquer decisão, Floriano Marques julgou um pedido de Luiz Inácio Lula da Silva e trucou o colega. Agora, se decidir de forma oposta, o presidente encontrará resistência não apenas de Floriano Marques, mas de outros integrantes do tribunal.
Uma ala de ministros da Corte avalia que Nunes Marques tem tomado decisões que interferem nas campanhas de forma excessiva. O primeiro aviso ao grupo do presidente foi dado quando colegas trouxeram a público uma minuta redigida por André Mendonça com a intenção de impedir o funcionamento de canais de WhatsApp 48 horas antes do segundo turno.
Diante da divulgação da proposta, o presidente declarou que seria contrário a ela – mesmo porque não haveria votos suficientes em plenário para aprovar a resolução em eventual votação. Diante do cenário, Nunes Marques decidiu não pautar a discussão e evitar mais esse desgaste interno.



