‘Operação Ícaro escancarou tamanho do manicômio tributário brasileiro’, diz a Duquesa de Tax
No programa desta semana, a colunista fala sobre o esquema de corrupção que prendeu o dono da Ultrafarma, Sydnei Oliveira e outros executivos e fiscais. Crédito: Edição: Jefferson Perleberg/Estadão
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retirou a tornozeleira eletrônica do empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, apontado pelo Ministério Público como lobista e operador financeiro de um esquema que movimentou R$ 1 bilhão em propinas na Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Ele seguirá em prisão domiciliar, regime que cumpre desde março. Procurada, a defesa não respondeu.
A decisão foi assinada nesta semana pelo ministro Reynaldo Soares, que ressaltou o quadro de saúde delicado do réu, incluindo doenças cardíacas e psiquiátricas.

Celso Éder Gonzaga de Araújo Foto: Arquivo pessoal
O empresário já havia recebido autorizações pontuais para retirar a tornozeleira ao fazer exames médicos. Para o magistrado, o mais adequado é retirar de vez o monitoramento eletrônico.
“Não se mostra razoável exigir sucessivas autorizações judiciais para cada consulta, exame ou procedimento necessário, sobretudo quando eventuais atrasos possam comprometer a assistência médica”, escreveu o ministro do STJ.
PF encontrou R$ 1,2 bilhão em dinheiro vivo na casa de empresário
O empresário foi preso no estouro da Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025. Na ocasião, também foram presos o empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e o executivo Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop.
Equipes da Polícia Federal encontraram na casa de Celso Éder, em Campo Grande, cerca de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, além de dólares, euros, criptomoedas e dois pacotes de esmeraldas.
No mês seguinte à prisão, o Ministério Público de São Paulo denunciou Celso Éder por supostamente comandar a lavagem de dinheiro do esquema.
A Promotoria atribui ao grupo os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, em troca de propinas, os auditores ofereciam uma espécie de assessoria clandestina a empresas que buscavam a restituição do ICMS.




