O aumento do número de indecisos na pesquisa espontânea, cujo índice dobrou em uma semana, segundo levantamento da Quaest divulgado nesta quarta-feira, 21, indica um voto mais bambo, com o eleitor menos convicto, em meio à pancadaria na qual se transformou a disputa eleitoral no segundo turno. Somado ao empate técnico na pesquisa estimulada, o cenário torna a eleição entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro indefinida e difícil de prever.
A pesquisa espontânea é aquela por meio da qual o eleitor é indagado a dizer seu voto de forma voluntária, ou seja, sem que os nomes dos dois candidatos sejam apresentados. Historicamente, esse tipo de pergunta, feita antes da pesquisa estimulada, funciona para prever a solidificação do voto. Quanto mais os índices da pesquisa espontânea se aproximam da estimulada, mais decidido é o voto naquele candidato.

Flávio Bolsonaro e Lula durante debate Band/Estadão no último domingo Foto: Werther Santana/Estadão
Às vésperas do segundo turno, quando os eleitores conhecem os candidatos e já foram às urnas uma vez para escolher entre os nomes, não dizer de cara em quem vai votar é indício de um voto envergonhado. Isso ajuda a explicar a distância entre os 14% de indecisos da pesquisa espontânea para os 2% da pesquisa estimulada.
Espera-se que, quanto mais próximo da eleição, mais os índices dos dois candidatos cresçam na espontânea. Viu-se o contrário. Flávio recuou 3 pontos, Lula oscilou 2 para baixo e até entre brancos e nulos ou eleitores que não vão votar houve movimento (de 8% para 6%). Isso levou o total de indecisos de 7% para 14%.
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A mudança inusual vem justamente depois de um debate com troca de farpas e com um baixo nível de propostas medido por pesquisas qualitativas. Também quando as duas campanhas estão com a faca nos dentes e explorando polêmicas envolvendo os dois concorrentes e suas relações com figuras implicadas. Contra Lula, as revelações da lobista Roberta Luchsinger sobre a relação com o filho do presidente e com o governo. Em relação a Flávio, as relações com Daniel Vorcaro e com o advogado Willer Tomaz.
Em meio a uma mobilização ampla do eleitorado no segundo turno, inclusive nas redes, exigindo que influenciadores se posicionem, com mais gente na rua e uma guerra aberta entre os concorrentes, o eleitor se enche de dúvidas e parece menos disposto a definir a eleição antes da hora.



