Parte dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acredita que as big techs influenciaram no alcance das campanhas deste ano. Ao menos três dos sete ministros dizem nos bastidores que houve falhas na distribuição do conteúdo político por parte das redes sociais, com potencial para influenciar a forma como os eleitores escolhem os representantes do País.
Na sexta-feira, 16, o TSE decidiu por unanimidade proibir a Meta de restringir a distribuição de conteúdo sobre candidatos. Ou seja, os ministros concordam que a forma como a empresa atuou nos últimos meses justificava o puxão de orelha.

Lula e Flávio Bolsonaro reclamaram ao TSE de tratamento desigual por redes sociais Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão
A equipe de Lula acusa a Meta de restringir o alcance de publicações favoráveis ao presidente e de permitir a circulação de conteúdos produzidos por inteligência artificial contra sua candidatura. Para a campanha de Flávio, o canal de WhatsApp “Exército do Lula” manipulou algoritmos das plataformas por meio da mobilização de apoiadores para impulsionar termos negativos associados ao senador.
O TSE intermediou várias reuniões entre os representantes de Lula e Flávio com a Meta, mas a explicação não convenceu nenhum dos dois lados da disputa.
Parte dos ministros afirma que houve redução no alcance de algumas candidaturas nas redes sociais e, em contrapartida, o impulsionamento de outras. Um integrante do tribunal disse à coluna que acha difícil a Meta ter errado de forma não intencional. E, ainda que isso tenha acontecido, teria havido má vontade para corrigir as supostas falhas técnicas detectadas.
No domingo, 25, o Brasil conhecerá o novo presidente da República, mas a disputa judicial não terá terminado. O TSE ainda deverá analisar ações dos candidatos sobre o comportamento da Meta nas eleições.
Seja qual for a decisão do tribunal, é possível dizer que as big techs tiveram papel relevante na decisão do eleitor. E mais: o resultado das eleições locais mostrou que a presença dos candidatos nas redes é fundamental para o sucesso nas urnas. Segundo levantamento do Estadão, quase 80% dos políticos influenciadores que concorreram foram eleitos.



