Ala do governo olha com desconfiança para polarização sobre taxação e diz temer interferência de Trump na eleição
Em meio à ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em resposta ao novo tarifaço de Donald Trump, uma ala do governo passou a olhar com alguma desconfiança para um dos principais focos da estratégia adotada até agora pela gestão petista: carimbar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a responsabilidade pela nova leva de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Discretamente, alguns aliados de Lula dizem temer uma espécie de “efeito Teflon” do senador do PL. A tese é que a politização das taxas até garante um desgaste inicial para rival, mas que pode não se sustentar até a eleição. E que trazer o assunto para o centro do debate eleitoral favoreceria um cenário preocupante quando o assunto é a corrida presidencial: uma interferência explícita de Trump na eleição.
A ideia de carimbar o tarifaço em Flávio — desenhada sob o slogan do “Tariflávio” — tornou-se nas últimas semanas um dos maiores focos da comunicação da campanha de Lula. O plano é aproveitar o momento para impor o desgaste a Flávio e embalar mais uma vez o discurso da soberania, contribuindo para recuperar a popularidade do petista.
Os mais críticos defendem que o governo deve sim aproveitar para desgastar Flávio, porém direcionando aos poucos as discussões para o campo técnico, por meio do Itamaraty e das pastas envolvidas na negociação comercial, como Fazenda ou Indústria e Comércio.
Esse grupo avalia que Trump trabalha com o principal objetivo de conseguir a abertura de mercados estratégicos no País, como terras raras e etanol. E que o melhor caminho neste momento seria não alimentar o componente político das negociações.



