O Brasil enfrenta uma preocupante onda de assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero, caracterizando o crime de feminicídio. Dados recentes apontam que o país registra números crescentes ano após ano, evidenciando uma crise estrutural que atinge principalmente mulheres dentro de seus próprios lares, muitas vezes mortas por companheiros ou ex-companheiros.
Números alarmantes e em crescimento
Levantamentos mais recentes pesquisados pela equipe de jornalismo do portal de notícias Hora1Rondônia, indicam que o Brasil bateu recorde de feminicídios em 2025, com cerca de 1.568 mulheres assassinadas, o que representa mais de quatro mortes por dia. Em outra base de dados, o número chega a 1.470 vítimas no ano, confirmando a tendência de alta contínua.
Além dos casos consumados, o cenário é ainda mais amplo quando consideradas as tentativas: foram 6.904 ocorrências entre tentativas e feminicídios em 2025, com média de quase seis vítimas por dia. Especialistas apontam que o crescimento é contínuo e estrutural. Desde a criação da lei do feminicídio, em 2015, mais de 13 mil mulheres já foram assassinadas no país.
Dados de janeiro a março de 2026
Os primeiros meses de 2026 mantêm a tendência de alta:
- Janeiro de 2026: foram registrados 947 novos casos de feminicídio no Judiciário, aumento de 3,49% em relação ao mesmo período do ano anterior
- Apenas em janeiro, mais de 53 mil medidas protetivas foram concedidas a mulheres vítimas de violência
- Em estados como São Paulo, o início do ano já apresentou recordes, com 27 casos registrados em um único mês
Embora não haja consolidação nacional completa até março, os indicadores mostram que 2026 segue com números elevados e tendência de crescimento.
Violência dentro de casa e perfil dos crimes
Dados do Ministério da Justiça revelam que:
- Cerca de 65% dos feminicídios ocorrem dentro da residência da vítima
- Na maioria dos casos, o agressor é companheiro ou ex-companheiro
- 64% das vítimas são mulheres negras
- A maior parte tem entre 18 e 44 anos
Esses números reforçam que o feminicídio está diretamente ligado à violência doméstica e relações abusivas.
Medidas protetivas e leis não impedem mortes
Mesmo com legislações específicas, como a Lei do Feminicídio e a Lei Maria da Penha, os dados indicam falhas na proteção das vítimas. O número de medidas protetivas cresce a cada ano foram quase 630 mil concedidas em 2025, mas isso não tem sido suficiente para conter os crimes. Muitos casos de feminicídio ocorrem mesmo após a vítima ter denunciado o agressor.
Especialistas apontam fatores como:
- Falta de fiscalização no cumprimento das medidas
- Demora na resposta do sistema de justiça
- Estrutura insuficiente de acolhimento às vítimas
- Cultura de violência e desigualdade de gênero
Mesmo com aumento de penas e endurecimento da legislação, os índices continuam subindo.
Problema estrutural e desafio nacional
O cenário evidencia que o feminicídio no Brasil vai além de casos isolados, configurando uma crise social e de segurança pública. Autoridades reconhecem que o país enfrenta um problema estrutural, onde a violência contra a mulher persiste mesmo com avanços legais.
A cada novo caso, reforça-se a urgência de políticas públicas mais eficazes, maior proteção às vítimas e ações preventivas capazes de interromper ciclos de violência antes que terminem em tragédia. Enquanto isso, o país segue registrando números alarmantes, com mulheres sendo assassinadas diariamente muitas delas dentro de casa, por pessoas em quem confiavam.
Fonte: Hora1Rondônia





