BRASÍLIA – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, não descarta derrubar novamente o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. Nesta quinta-feira, 22, ele deu prazo de 24 horas para a Meta produzir um relatório técnico informando se o canal cumpre as regras da Justiça Eleitoral. A depender da resposta, o ministro decidirá se mantém ou não a ferramenta no ar.
“Nesse tipo de ação, não tem como decidir sem ouvir a explicação. É preciso primeiro ouvir a plataforma antes de tomar uma decisão”, disse Nunes Marques ao Estadão. “Se estiver tudo certo, vida que segue. Mas é preciso saber se (o canal) está andando na linha. Minha decisão depende da resposta da Meta”, completou.
Além de ter pedido um relatório detalhado à Meta, Nunes Marques agendou uma reunião para sexta-feira, 23, com os representantes da empresa e ministros do tribunal. Na ocasião, o presidente do TSE vai aproveitar para pedir mais detalhes sobre o funcionamento do canal gerido por André Janones. O ministro deve tomar uma decisão somente após ler o documento e conversar pessoalmente com a equipe da Meta.
O pedido de informações de Nunes Marques foi feito a partir de uma reclamação da campanha de Flávio Bolsonaro, que alega haver manipulação do algoritmo de plataformas na internet por meio da mobilização da militância no canal. O ministro pediu detalhes à Meta, tais como:
– a existência de sincronização de atividades, replicação de mensagens e atuação coordenada entre contas, canais e plataformas;
– os padrões de engajamento, alcance, compartilhamento e eventual amplificação artificial;
– a circulação e redistribuição dos conteúdos, inclusive mensagens encaminhadas e conteúdos excluídos ou modificados;
– a existência de publicidade paga, impulsionamento e distribuição patrocinada; e
– a aplicação efetiva do plano de conformidade e as providências eventualmente adotadas.
Nunes Marques também determinou que o Google informe se houve amplificação coordenada dos termos e hashtags mencionados, entre 18 e 20 de outubro de 2026, em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.
O canal, que ultrapassou a marca de 8 milhões seguidores, é visto pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva como instrumento importante na tentativa de virar a situação do candidato nas urnas. Após o primeiro turno, Nunes Marques determinou o bloqueio do canal, mas a medida foi revertida em decisão do ministro Villas Boas Cueva, relator do processo.





