A capital do Amazonas vive um dia de profundo luto após a tragédia que abalou o transporte fluvial na tarde de sexta-feira (13). O naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, que seguia de Manaus para Nova Olinda do Norte, resultou na morte confirmada de pelo menos duas pessoas: a pequena Samila de Souza, de apenas 3 anos, e a jovem Lara Bianca, de 22 anos. Outras sete pessoas permanecem desaparecidas, enquanto 71 passageiros foram resgatados com vida.
O acidente ocorreu por volta das 12h30, nas proximidades do famoso Encontro das Águas — ponto turístico icônico onde os rios Negro e Solimões se encontram, mas que também é conhecido pelos fortes banzeiros (ondas turbulentas) que desafiam a navegação na região. Vídeos registrados por testemunhas mostram o desespero: passageiros, incluindo crianças, à deriva em botes salva-vidas, enquanto embarcações próximas corriam para ajudar no socorro.
Samila de Souza, a vítima mais jovem, estava vivendo um momento especial: era sua primeira vez em Manaus. A menina viajou do interior do Amazonas, especificamente de Urucurituba, junto com a avó, um tio e o irmão de 8 anos, para passar as férias na capital. No retorno para casa, a família embarcou na lancha que faria parada em Nova Olinda do Norte. Familiares descreveram Samila como uma criança carinhosa, dócil, que adorava brincar, cantar e sonhava em conhecer lugares como shoppings e atrações da cidade.
> “Ela queria muito conhecer Manaus. Foi a primeira vez dela aqui. Era uma criança muito dócil, gostava de brincar, cantar. Dizia que queria ir ao shopping, participar das coisas”, relatou a tia da menina, Kailane Souza, em entrevista ao g1.
A pequena chegou a ser socorrida e levada ao Pronto Socorro da Criança da Zona Leste (Complexo Hospitalar Leste), mas já sem vida. A mãe da criança foi informada e está devastada emocionalmente.
A outra vítima fatal, Lara Bianca, era natural de Nova Olinda do Norte e cursava odontologia em Manaus, estando prestes a se formar. Amigos e familiares a lembram como uma jovem meiga, educada, filha única e grande orgulho dos pais. Nas redes sociais, colegas de curso e conhecidos expressaram choque e tristeza pela interrupção abrupta de uma trajetória promissora.
“Uma menina meiga, educada. Sempre deu muito orgulho para a família”, disse um amigo próximo.
O corpo de Lara foi resgatado e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) após passar pelo pelotão fluvial do Corpo de Bombeiros no Porto de Manaus.
A operação de resgate mobilizou cerca de 25 bombeiros, três lanchas, oito viaturas, apoio da Polícia Militar e do SAMU, além de uma aeronave da Marinha que sobrevoou a área para buscas e apuração inicial. Um episódio marcante foi o resgate de um bebê prematuro mantido dentro de um cooler, que sobreviveu ao drama.
Uma passageira gravou vídeo à deriva afirmando ter alertado o comandante para reduzir a velocidade por causa do banzeiro: “falei para ir devagar”. O comandante da embarcação, José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi detido e levado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para esclarecimentos.
A empresa Lima de Abreu Navegações, responsável pela lancha, confirmou o acidente e afirmou estar colaborando com as autoridades. A Marinha do Brasil investiga as causas do naufrágio, que pode envolver fatores como condições climáticas adversas, sobrecarga ou falhas na condução.
As buscas pelos sete desaparecidos continuaram durante todo o sábado (14), com força-tarefa envolvendo bombeiros, Marinha e outras equipes. Familiares e a população amazonense acompanham com angústia o desfecho, enquanto a comunidade lamenta as vidas ceifadas — uma criança cheia de sonhos e uma jovem à beira da realização profissional.
Neste momento de dor, o Amazonas se une em solidariedade às famílias das vítimas e clama por respostas e maior segurança no transporte fluvial, essencial para milhares de ribeirinhos.
INFORMAÇÃO BOA CIRCULA
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