Presidente Laerte Gomes e governador anunciam o fim da vacinação contra a febre aftosa

Anúncio foi feito durante audiência pública com produtores rurais, na Assembleia Legislativa

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Agora é oficial. A vacinação do rebanho contra a febre aftosa será extinta em Rondônia. O anúncio foi feito em conjunto, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes (PSDB) e pelo governador Marcos Rocha (PSL), durante audiência pública na tarde desta quarta-feira (4), no plenário da Assembleia Legislativa.

Laerte comandou a audiência pública que tratou sobre o tema, reunindo produtores rurais de todas as regiões de Rondônia. O deputado reforçou o apoio dos parlamentares ao setor produtivo, que gera emprego, renda e receitas ao Estado.

O deputado estadual Cirone Deiró (Podemos), o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Walter Waltenberg, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Edilson de Souza, o presidente da Agência Idaron, Júlio Rocha Peres, o secretário de Estado da Agricultura (Seagri), Evandro Padovani, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon), Hélio Dias, entre outras autoridades, também compuseram a mesa.

Logo na abertura, Laerte Gomes fez a entrega ao governador Marcos Rocha, de um documento assinado por 20 deputados estaduais, apoiando a retirada da obrigatoriedade da vacina contra a febre aftosa no rebanho. Participaram da audiência pública os deputados Jean Oliveira (MDB), Chiquinho da Emater (PSB), Adelino Follador (DEM), Jair Montes (Avante), Luizinho Goebel (PV) e Ismael Crispin (PSB).

O governador disse que “é da agropecuária que vem os recursos para a nossa economia. Após reuniões e estudos, apesar de alguns termos um pouco de receio, temos que confiar que vai sim dar certo, pois Rondônia sempre fez muito bem o seu dever de casa e na sanidade animal é uma referência para o país”.

Para Marcos Rocha, “com o fim da vacinação contra a aftosa, Rondônia vai muito mais além do ponto de vista econômico. Eu estou com os produtores rurais, que me deram essa confiança. Se a nossa opção for para suspender a vacinação, posso assegurar que vamos dar todo o suporte necessário para a Agência Idaron fazer o seu trabalho. Vamos agir da forma que deve ser feita, para ver o nosso Estado se desenvolvendo cada vez mais”.

O governador aproveitou para indagar quem era favorável à retirada da vacinação contra a febre aftosa, com a grande maioria optando pelo fim da vacinação. Em seguida, Marcos Rocha e Laerte Gomes anunciaram em conjunto o fim da vacinação do rebanho de Rondônia.

Laerte Gomes agradeceu à presença de todos e disse que “precisamos ser parceiros, para termos ainda mais vigilância, para mantermos a sanidade animal. Aqui, temos uma síntese do que ocorreu ao longo do ano: os poderes juntos, unidos com a sociedade, plantando uma semente boa, de forma aberta e transparente, tomando decisão conjuntamente. Essa responsabilidade é nossa, é de Rondônia”.

O presidente reafirmou que a Assembleia Legislativa está de portas abertas para discutir os temas de interesses do Estado. “E o Executivo sabe que, o que precisar ser votado, a favor da população de Rondônia, é só encaminhar para esta Casa debater e votar, com independência e celeridade”, completou.

Deputados 

Cirone Deiró disse que “Rondônia está dando um passo importante na nossa economia e por isso estamos trazendo esse tema para o debate. É um avanço de destaque nacional, mas devemos manter a nossa vigilância, o nosso comprometimento com a sanidade do rebanho”.

Jean Oliveira destacou que “esse é o assunto econômico da maior relevância no Estado. Expresso aqui que tenho um temor pela decisão, mas a minha preocupação se trata em virtude de estarmos vivendo o melhor momento de nossa pecuária. Talvez, pudéssemos esperar mais dois ou três anos. Acredito que não vai agregar valor à nossa carne, essa suspensão da vacinação”.

Chiquinho da Emater se posicionou favorável à retirada da vacinação. “Se a Agência Idaron já fez os estudos, já faz o acompanhamento e atesta que estamos aptos para suspender a vacinação do rebanho, eu confio e acredito em sua capacidade. Por isso, defendo que é o momento de Rondônia dar esse importante passo”.

O deputado Adelino Follador (DEM) ressaltou que “é uma batalha grande, mas estamos preparados para isso. Com certeza, vamos avançar e Rondônia vai ganhar muito com o fim da vacinação do rebanho”.

Ismael Crispin ressaltou que “é o momento de ousadia, de amadurecimento. Se queremos inovar, temos que ser ousados e contem com o nosso apoio”.

Governo 

O técnico da Agência Idaron, Fabiano Alexandre, fez uma apresentação com detalhes sobre os desafios da retirada da vacinação e os preparativos necessários para esta finalidade.

“Mais de 20 anos sem registro de aftosa em Rondônia e 12 sem registro no país. Se temos as condições necessárias para suspender a vacinação, por que não fazê-lo? Rondônia merece um status diferenciado e temos condições de dizer que temos os melhores produtores, comprometidos com a sanidade de rebanho. O preço da zona livre de febre aftosa é a eterna vigilância de todos nós”, destacou o técnico da Idaron, Fabiano Alexandre.

Fabiano destacou ainda que, em 2018, cerca de 10% do volume de carne exportada no país é proveniente de Rondônia, sendo o quarto Estado do país em quantidade de carne importada.

Júlio Peres falou sobre os processos já em curso em Estados como o Paraná, ressaltando que a Agência Idaron está pronta para dar a sua contribuição nesse processo. “Vamos trabalhar ainda mais, temos experiência e uma equipe com muita responsabilidade de trabalho. Com o apoio dos produtores e das instituições, o passo será dado com segurança e com ganhos para todos”.

Ministra 

Por telefone, numa ligação ao governado Marcos Rocha, a ministra de Agricultura Tereza Cristina, fez uma breve explanação. “Tinha muita dúvida quando cheguei ao ministério sobre o fim da vacinação. Tive que fazer um trabalho árduo com o programa da aftosa. O Brasil precisa começar a retirada da vacina contra a aftosa. Há muito tempo não há a circulação viral de aftosa no país. Se todo mundo faz a lição de casa, estamos prontos para fazer a retirada da vacinação”.

A ministra disse ainda que “tudo tem risco na vida. Se tomarem essa decisão, o Mapa vai acompanhar de perto. A gente vai dar cobertura de recursos para Rondônia fazer a lição de casa e a gente pode ir fazendo essa transição. Vamos ter uma grande abertura de mercados, inclusive do Japão, que paga bons preços, mas exige a procedência da carne de áreas livres de vacinação”.

Tereza Cristina falou sobre os desafios da retirada da vacinação e sobre o acesso aos mercados mais exigentes. “Rondônia é um Estado piloto nesse trabalho e podemos avançar mais. Contem com o nosso apoio”.

Produtores 

Walter Waltenberg, que é pecuarista, declarou que “como pecuarista eu defendo essa ideia e espero que o Governo tome essa atitude corajosa nesse momento. Temos os fatos, temos os estudos que apontam para a suspensão da vacinação do rebanho contra a febre aftosa”.

O pecuarista Adélio Barofaldi defendeu que haja uma informação precisa e clara, sobre a posição do Estado. “Precisamos criar todo o mecanismo que precisar para atender aos produtores. Nesse sentido, área livre de aftosa sem vacinação, torna Rondônia um Estado exportador de primeira linha. Também informo que estamos entabulando um seguro para o rebanho de Rondônia, que deverá ser compulsório”.

Francisco Holanda disse que a Assembleia Legislativa sempre está de portas abertas ao setor produtivo. “Esse é o momento e precisamos avançar ainda mais. Temos um rebanho grande, sadio e produtores comprometidos”.

Salatiel Rodrigues, da OCB Rondônia, disse que a pecuária vive um bom momento e irá avançar mais, com o fim da vacinação. “Vamos valorizar o nosso rebanho, o nosso produtor. Precisamos aderir a esse processo e envolver a todos”.

O produtor Edson Afonso pediu ainda para se criar uma comissão, formada por deputados, representantes dos produtores e do Governo, para tratar dos mercados exportadores.

O presidente do Fundo de Erradicação da Febre Aftosa (Fefa), José Vidal Hilgert, alertou para a necessidade de fortalecer a vigilância nas fronteiras com o Acre e com a Bolívia. “Mas, se há vontade política, se há comprometimento, temos certeza de que isso irá ocorrer da melhor forma”.