Produzir biogás custa, mas pode dar retorno, afirmam executivos do setor

Geração de energia pode ser alternativa interessante, por exemplo, para suinocultores, que já são obrigados a ter biodigestores nas granjas

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A produção de biogás a partir da gestão dos resíduos pode trazer benefícios ambientais e ser uma alternativa competitiva em relação à eletricidade e combustível fóssil. Mas tem alto custo de implantação, o que pode inibir investimentos, afirma Rodrigo Pastl, gerente de Digitalização e Qualidade da Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás).

“Ainda existem barreiras. Além dos custos, fatores como ausência de políticas públicas, burocracias sanitárias, capacitação técnica e acesso à tecnologia são entraves para que o biogás seja expandido no país”, diz Rodrigo, que participou, na última terça-feira (15/10), de evento sobre o assunto realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, em São Paulo (SP).

Achim Kaiser, diretor executivo da FnBB, agência alemã de promoção do uso sustentável de biogás e bioenergia, ressalta que, além do investimento na infraestrutura, deve-se pensar nas despesas de manutenção. “Um grande investimento tem muito desgaste, deve-se calcular algo em torno de 2% do aporte em reserva, e cerca de 1,5% voltado ao seguro”, explica o executivo.

Ainda que representantes do setor falem em entraves, a produção de biogás no Brasil cresceu nos últimos anos. Passou de 1,5 milhão para 3,1 milhões de metros cúbicos ao dia, entre 2015 e 2018. O produtor Anélio Thomazzoni, da Granja Thomazzoni, em Vargeão (SC), começou a investir em biogás em 2005 e hoje possui três geradores.

Entre gerador, biodigestor e outros custos, ele conta que o investimento médio para uma capacidade de 120 quilowatts é R$ 500 mil, mas garante que o retorno é positivo. Também relembra que o biodigestor já é uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para os suinocultores, “então esse investimento inicial já será obrigatório”.

“Hoje a geração de energia dá uma renda para o suinocultor um pouco maior que a própria suinocultura. Por isso, ela é considerada muito boa em todos os aspectos, financeira e de contribuição ao meio ambiente”, garante o produtor catarinense.

Por isso, Ricardo Castanho, diretor de Desenvolvimento de Negócios da de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, defende que o produtor rural precisa ver o aporte financeiro como investimento e não como gasto. “[O biogás] é um subproduto da produção principal, mas ele vai ganhar com isso ao invés de gastar”, se referindo ao custo de descarte dos dejetos da pecuária e suinocultura.