Pará: governo transferirá 16 líderes de rebelião que matou 57 presos

Motim começou no Bloco A do presídio de Altamira, onde estão os comandantes de organizações criminosas rivais

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O governo do Pará determinou, nesta segunda-feira (29/07/2019), a transferência imediata de 46 presos envolvidos na rebelião ocorrida pela manhã, no Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRA). O Gabinete de Gestão da Segurança Pública do estado confirmou a morte de 57 detentos, sendo que 16 foram decapitados. Dos 16 identificados como líderes das facções criminosas que lideraram o massacre, dez serão transferidos para penitenciárias federais, conforme tratativas realizadas entre o governador Helder Barbalho e o ministro da Justiça, Sergio Moro. O restante será redistribuído pelos presídios estaduais.

Uma unidade de atendimento médico e psicológico às famílias dos presos foi montada na entrada do CRRA. Por ordem do Gabinete de Gestão, os familiares foram os primeiros a ter acesso à listagem com os nomes dos mortos. A Polícia Militar permanece com efetivo do Grupo Tático Operacional (GTO) dentro da unidade prisional desde 10h, momento em que o ataque foi controlado.

Uma equipe de representantes do governo do Pará passou a tarde em Altamira, definindo as ações posteriores ao ocorrido, no sentido de evitar possíveis retaliações em outros ambientes prisionais. Duas guarnições da PM de Santarém foram enviadas ao município para garantir o reforço na segurança pelas próximas semanas.

Técnicos e peritos do Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves também foram enviados de Belém ao presídio, na tarde desta segunda, para iniciar os trabalhos de identificação dos corpos, que serão encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Altamira.

Presos asfixiados
O motim começou no Bloco A do presídio de Altamira, onde estão os presos de uma organização criminosa. Um grupo rival invadiu o anexo. Depois dessa primeira ação, a ala foi trancada e, em reação, os detentos atearam fogo no local. De acordo com informações da Susipe, a fumaça tomou conta do local, o que levou diversos presos à morte.

Grupo Tático Operacional da Polícia Militar foram chamados ao local. A Polícia Civil, a Promotoria e o Juizado de Altamira estiveram na unidade participando das negociações para liberação dos reféns. O motim foi encerrado no início da tarde.

Briga entre facções
“Foi um ataque localizado e dirigido a exterminar integrantes da facção rival. Eles entraram, mataram e tocaram fogo”, afirmou o secretário extraordinário para Assuntos Penitenciários do Estado do Pará, Jarbas Vasconcelos do Carmo. Segundo ele, os detentos não fizeram nenhuma exigência. “Foi uma briga entre facções.”

O secretário disse ainda que não havia qualquer indicativo do setor de inteligência da Susipe sobre o ataque e, por isso, uma transferência de presos não estava prevista. “Não tínhamos nenhum relatório da nossa inteligência sobre um possível ataque desta magnitude de uma facção contra a outra”. (Com Agência Estado)