Em debate morno, apenas os dois coronéis candidatos polemizaram

Debate ocorreu na emissora TV Allamanda...

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Morno e com poucas propostas efetivamente apresentadas. Assim foi o primeiro debate em televisão aberta promovido pela TV Allamanda, retransmissora do SBT em Rondônia. Sete dos nove candidatos ao Governo se enfrentaram: Acir Gurgacz (PDT), Charlon da Rocha (PRTB), Marcos Rocha (PSL), Expedito Júnior (PSDB), Maurão de Carvalho (MDB), Pimenta de Rondônia (Psol) e Vinícius Miguel (Rede). A emissora não queria Charlon, recorreu ao TRE contra uma liminar, mas acabou perdendo.

O mediador do debate foi o jornalista Daniel Adjuto, âncora do jornal do SBT de Brasília, e explicou as regras aos candidatos antes de iniciar o debate, que teve cinco blocos.

No primeiro, os candidatos fizeram apresentações, destacaram atuações e Vinicius Miguel começou alfinetando os candidatos falando que está fazendo uma campanha, praticamente sem recursos.

No mesmo sentido, coronel Charlon disse ter feito empréstimo bancário para fazer a campanha.

Já no segundo bloco, os candidatos foram sorteados e fizeram perguntas entre si, com direito a réplica e tréplica. Eles falaram sobre educação, geração de emprego, agronegócio, arrecadação para gerar receita. Garantiram que irão fazer melhorias, mas pouco disseram os caminhos que irão utilizar para implantar as propostas.

No terceiro bloco, os candidatos responderam perguntas enviadas por instituições do Estado. Por sorteio foi definido quem perguntava e quem respondia.

A primeira foi do Sebrae sobre micro e pequenas empresas, respondida por Pimenta de Rondônia que disse irá facilitar encargos tributários, redução de burocracia, geração de emprego e renda. O candidato ainda falou sobre evasão de divisas. Em comentário, Expedito Junior falou que não quer ficar conhecido como o exportador de matérias primas, mas quer industrializar no estado, como a soja e o couro do boi. Mas o foco é de incentivo os MPE.

Acir Gurgacz respondeu sobre projetos para potencializar a agricultura familiar no estado, pergunta feita pela Fetagro. O candidato citou dados percentuais de agricultura familiar e destacou o trabalho no Senado para incentivar o aumento da produtividade da agricultura familiar, e ainda a garantiu que o estado não precisa desmatar para aumentar a agricultura familiar, precisa recuperar. Citou o projeto “Porteira a Dentro” e recuperação de estradas, asfaltando as rodovias estaduais, agroindústrias familiares que passarão, para melhorar a renda. Em resposta, Pimenta de Rondônia falou da necessidade de cadeia produtiva, ressaltando que o pequeno produtor não tem incentivo. Falou das dificuldades de conseguir recursos com bancos e de reforma agrária.

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino questionou sobre melhoria da qualidade e eficiência na gestão da educação, fazendo mais com menos recursos. Coronel Charlon foi o sorteado e respondeu que o orçamento ficou engessado, citou a greve da educação, a saída dos vigilantes das escolas, clima de guerra nas escolas, e garantiu que vai recontratar os vigilantes, disciplinar alunos e valorizar professores. Em resposta, Maurão de Carvalho citou o trabalho que fez na Assembleia Legislativa para encerrar a greve da educação e disponibilização de recursos para a categoria, mas nenhum dos candidatos sorteados respondeu aos questionamentos do sindicato.

Já o Sindicato dos Engenheiros perguntou a continuação, aparelhagem e desenvolvimento do sistema do Cadastro Ambiental Rural. O Coronel Marcos Rocha citou Jair Bolsonaro e garantiu que juntos farão a regularização fundiária, destacou sua experiência como engenheiro do Exército e trabalho na questão ambiental dizendo que a melhor forma é colocar na Sedam um engenheiro florestal, que já garantiu ter a pessoa indicada para o cargo. Mais incisivo, Vinicius Miguel, comentou que a solução seria a utilização dos recursos do fundo ambiental citando que são provenientes da arrecadação de multas, e que vai utilizar técnicos específicos e interligar dados com outros órgãos.

Pelo CREA, Maurão foi questionado sobre política habitacional e combate a ocupações irregulares, mas o candidato apenas citou o trabalho de habitação popular realizado no governo anterior e disse que irá buscar recursos para aumentar a quantidade de imóveis. Já Marcos Rocha, em resposta, disse que irá formar uma mesa de diálogo com o CREA para verificar a melhor forma de ampliar, com qualidade e recursos necessários.

Da Fecomércio, Vinicius Miguel respondeu sobre estimular novos negócios e geração de empregos como turismo. O candidato explicou que já esteve conversando sobre as melhores formas de fomento, citou regularização fundiária, que, segundo ele, foram mal colocadas pelos demais candidatos. Coronel Charlon falou apenas dos problemas no turismo, falta de orçamento e das perdas com o fim do duelo da fronteira e de feiras agropecuárias.

Já Expedito Junior respondeu a pergunta da Fiero sobre política e isenção tributária para o incentivo fiscal e atrair novas empresas. O candidato disse que vai dotar o estado de infraestrutura, internacionalização do aeroporto, duplicação da BR. Industrializar matéria prima, quer ser reconhecido como gerador de empregos. E Acir, disse que Rondônia precisa aumentar a infraestrutura para escoar a produção, disse que conseguiu reabrir a BR, hidrovia do Madeira e destacou que está finalizando o processo de concessão da BR-364.

Em debate morno, apenas os dois coronéis candidatos polemizaram

Tensão entre coronéis

O quarto bloco foi o mais intenso e de mais confronto entre os candidatos que novamente fizeram perguntas entre si, sobre temas livres. Expedito Junior perguntou a Acir como melhorar a saúde pública. O pedetista respondeu que precisa descentralizar, finalizar o hospital de Ariquemes, de Guajará, Heuro em Porto Velho, além de incentivar e melhorar o atendimento no Heuro de Cacoal e construir o hospital em Ji-Paraná. Destacou ainda a qualidade na gestão, não deixar desviar dinheiro público. Em réplica Expedito disse que precisa ter governador determinado, citou que é desumano o atendimento no hospital João Paulo II e concordou que precisa descentralizar a saúde, falou ainda sobre Vilhena e garantiu que irá assumir o hospital local e transformá-lo em regional.

Vinicius Miguel interpelou Maurão sobre as gravações em que o candidato apareceu no que considerou uma conspiração contra o ex-governador Confúcio Moura, do mesmo partido. O deputado disse que foi uma armação de pessoas que queriam desestruturar sua futura campanha. Disse ter feito trabalho harmônico e manteve o diálogo e insistiu que foi alguém para tentar desconstruir a candidatura dele. O candidato do Rede aproveitou para falar que seria a nova opção em meio a políticos que estão envolvidos em estranhas transações e que Rondônia precisa de gestão mais técnica, com ética e livre de figuras nefastas.

Pimenta de Rondônia questionou Expedito sobre geração de emprego, destacando que ele estava na Câmara Federal quando foram demitidos mais de 10 mil servidores públicos e que ainda é padrinho do prefeito de Porto Velho. Expedito disse que vai industrializar o estado, a capital, que ainda mantém a economia do contracheque. E garantiu que vai despolitizar o governo, reduzir portarias, enxugar a máquina e prestigiar os servidores do quadro efetivo com as portarias do estado. Não vai permitir indicação política e vai escolher técnicos e profissionais para retomar o crescimento.

Maurão de Carvalho questionou Pimenta sobre agronegócio. Este falou que vai fiscalizar o setor e o emedebista garantiu que vai incentivar, ajudando o produtor a produzir, diversificar e industrializar para gerar emprego e receita.

Vinicius Miguel respondeu o questionamento de Marcos Rocha sobre segurança pública e disse que a política criminal precisa ser repensada, pois é necessário investir mais em educação, valorizar os agentes penitenciários e demais trabalhadores. Já Marcos Rocha disse que as policias estão sofrendo por conta da proteção aos bandidos.

Charlon foi questionado por Acir sobre educação, mas disse apenas que irá socorrer a educação e que quatro dos candidatos seriam continuidade. Acir afirmou que vai planejar, investir, priorizar escolas em tempo integral.

O fim do bloco foi a parte mais quente do debate, quando Coronel Charlon pressionou o Coronel Marcos Rocha sobre a ordem do ex-governador Confúcio Moura para paralisar uma obra no setor carcerário de Rondônia. Marcos Rocha chegou a questionar a forma como o colega “tenente coronel” estava falando com ele, citando a patente militar do candidato adversário e afirmou que conseguiu finalizar 10 obras deixadas pelo governo Cassol, dando ênfase a participação do candidato do PRTB na gestão do ex-governador. Charlon falou da fragilidade do presídio de Ariquemes.

O último bloco foi de considerações finais dos candidatos.